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Roy Raymond. O homem que tinha tudo para ser feliz, mas não foi

Roy Raymond. O homem que tinha tudo para ser feliz, mas não foi

Raquel Carrilho 14/12/2015 15:31

História do homem que criou a Victoria’s Secret, uma das marcas mais famosas do mundo, cujo desfile anual faz mulheres roerem-se de inveja e homens suspirarem de desejo, mas que caiu em desgraça e terminou com a própria vida.

No passado dia 8, cumpriu-se a tradição: o canal norte-americano CBS emitiu a edição de 2015 do desfile anual da Victoria’s Secret. Algumas das mais belas mulheres do mundo – incluindo a portuguesa Sara Sampaio - subiram à passerelle para mostrar as suas asas e as mais recentes criações daquela que é uma das mais reconhecidas marcas de lingerie do mundo, um negócio que factura sete mil milhões de dólares por ano e que tem mais de mil lojas apenas nos Estados Unidos. Não fosse a vida um caminho sinuoso, na plateia estaria sentado Roy Raymond, o homem que em 1977 criou a marca, uma espécie de Hugh Hefner da lingerie. Mas aquilo que poderia ter ditado o seu sucesso, foi na realidade o caminho para a sua desgraça.

Roy Raymond era apenas um homem que queria comprar lingerie para oferecer à mulher. Mas a maioria das lojas apenas tinham lingerie mais convencional e sensualidade estava longe de ser um conceito que constasse do vocabulário da maior parte das mulheres. Nada de sedas e muito menos rendas. Mas Raymond era um man on a mission. E assim acabou por criar o que veio a tornar-se um império. “Tudo começou quando o Roy me foi comprar lingerie e se sentiu incomodado. Era difícil encontrar modelos bonitos e, além disto, muitas vezes se sentia tratado com cinismo e como se fosse um pervertido”, recordou Gaye, a ex-mulher do empresário, numa das suas raras entrevistas.

Com um olho para o negócio, o natural do Connecticut viu aqui uma oportunidade de ser bem-sucedido. Queria transformar, não apenas as linhas de lingerie, mas também a experiência de comprar estas peças, sobretudo para os homens que gostavam de oferecer lingerie às suas amadas. Pediu 40 mil euros emprestados à banca e outros tantos a familiares e assim avançou com a ideia de criar uma loja exclusivamente dedicada à lingerie, onde as peças estariam todas expostas nas paredes, para que os clientes pudessem apreciar e escolher sem se sentirem incomodados. Apenas após o modelo ter sido escolhido, uma assistente da loja ajudaria o cliente a encontrar o tamanho certo. Assim, o incómodo que um homem sentia ao ir comprar lingerie era drasticamente reduzido.

A primeira loja Victoria’s Secret – cujo nome foi uma homenagem à rainha Victória de Inglaterra - abriu portas na região de Palo Alto, na Califórnia, e foi um sucesso. “Era uma loja pequena, com uma decoração de bordel Victoriano, sofás de veludo vermelho e roupa muito bonita e sexy nas paredes. Nunca tinha visto nada igual nos Estados Unidos”, contou à “Newsweek”, em 2010, Leslie Wexler, um grande empresário têxtil que viria, anos depois, a comprar a Victoria’s Secret. Antes da venda, porém, ainda se passaram cinco, muito bem-sucedidos, anos, com outras três lojas. Ainda assim, em 1982, Roy Raymond não resistiu à proposta de Leslie Wexler e vendeu a Victoria’s Secret por um milhão de dólares. Para Raymond foi o princípio do fim. Para Wexler foi, sem dúvida, o negócio da sua vida. A facturação da marca atingiu, ainda na década de 90, mil milhões de dólares. Já Roy Raymond usou o dinheiro da venda da Victoria’s Secret para criar a marca de roupa infantil de luxo My Child’s Destiny. Foi um fracasso que depressa o levou à falência.

Tentou recuperar-se financeiramente, mas tudo lhe correu mal. Até o amor, pois acabou por se divorciar. E cair em depressão. Umas semanas da separação, sozinho, completamente engolido por dívidas e com o peso de que vendeu, cedo demais, o negócio de uma vida, atirou-se do alto da ponte Golden Gate, em São Francisco. Era o dia 26 de Agosto de 1993, Roy Raymond tinha 46 anos. O seu corpo só foi encontrado uma semana depois.

Dois anos mais tarde acontecia o primeiro desfile anual da marca. E em 1998 foram criados os anjos da Victoria’s Secret, actualmente a imagem simbólica da marca. Naomi Campbell, Tyra Banks, Heidi Klum, Adriana Lima, Gisele Bündchen e agora a portuguesa Sara Sampaio são algumas das mulheres que já subiram à passerelle com as asas da Victoria’s Secret. Roy Raymond deve dar voltas no caixão. 

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