28/6/17
 
 
Carlos Diogo Santos 17/03/2017
Carlos Diogo Santos
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carlos.santos@newsplex.pt

Lisboa – Porto. Já se fez luz na A1

Novos postos de carregamento para carros na A1, que permitem viajar entre as duas maiores cidades, são definitivamente uma aposta importante. Mas há desafios que se colocarão dentro de dez anos

Começa a valer a pena ter um carro elétrico. Desde a última semana que a A1 – autoestrada que liga Lisboa ao Porto – tem vários postos de abastecimento rápidos para este tipo de veículos, permitindo viajar entre as duas maiores cidades do país. Em apenas 15 minutos é possível carregar 80% da bateria nas estações de serviço de Aveiras, Santarém, Leiria, Pombal e Antuã. A notícia foi uma vitória e parece ser um passo firme em direção à redução de carros que usam combustíveis fósseis.

Até aqui era já possível fazer o trajeto entre Lisboa e o Algarve sem ter de sair da autoestrada. Faltava porém equipar as bombas da autoestrada que tem mais relevância para a economia nacional, não só por ligar as duas maiores cidades, como também por servir parte significativa do transporte de mercadorias que chega via país vizinho. Na inauguração, esta semana, o governo deixou claro estar apostado em reforçar a rede de postos de abastecimento rápido, que nos próximos tempos se deverá expandir a Aveiro, Castelo Branco, Guarda, e outros.

Atualmente o país tem já mais de 4 mil carros elétricos a circular, sendo que só no ano passado foram comprados cerca de 700. O aumento da procura tem-se devido claramente não só ao aumento do número de postos de abastecimento – um pouco por todo o país sobretudo fora das auto estradas há já mais mil pontos – mas também à redução do preço dos próprios veículos. Já a energia, esta terá um custo mas mesmo assim muito mais em conta do que o da gasolina.

Nos últimos dias, para inaugurar os novos postos, o ministro do ambiente, João Matos Fernandes, fez a viagem entre Lisboa e Porto, de onde é natural, realçando o conforto da viagem e lembrando que o Estado quer dar o exemplo ao abrir um procedimento para a aquisição de 170 carros eletricos.

Além dos benefícios claros para o ambiente, estas medidas, disse o governante, serão decisivas para que Portugal cumpra o Acordo de Paris – redução de 26% das emissões atuais até 2030.

Caso João Matos Fernandes esteja correto, dentro de dez anos a procura destes postos de abastecimento terá tanta procura como as das bombas de gasolina e gasóleo. Se tudo correr bem, muitas das viagens de Norte a Sul do país serão mais amigas do ambiente e Portugal estará no bom caminho, cada uma delas muito mais barata.

Mas não se pense que esta alteração não vai trazer grandes desafios ao país - dez anos passam a correr e a nossa história já nos mostrou que a nossa frágil situação económica e financeira não se resolve em dez anos.

Ou dentro de anos estaremos a pagar impostos muito agressivos sobre a eletricidade consumida pelos veículos (o que fará com que a redução de preço não seja assim tão significativa), ou então precisamos de começar já a pensar em alternativas aos atuais impostos sobre os combustíveis, que como sabemos têm um peso grande.

 

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