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A direita tem de sair do armário

A direita tem de sair do armário

João Gomes De Almeida 17/03/2017 11:04

No dia em que o PSD e o CDS se esquecerem que são de direita, abrirão alas ao surgimentoda extrema-direita

Ao contrário do que possa parecer, não são os imigrantes, nem o islamismo radical, nem o terrorismo, nem a insegurança e muito menos o desemprego que alimentam o populismo extremista e xenófobo de Wilders e Le Pen. É uma direita com medo de ser de direita que o faz.

Ao contrário do que possa parecer, não foi a extrema- -direita que encontrou uma fórmula de comunicação extraordinária, capaz de chegar às pessoas e cativar os seus votos. Foi uma direita com medo de ser de direita que o fez.

O jogo político europeu é até bastante simples de explicar: existe eleitorado de esquerda e existe eleitorado de direita. Depois existe o eleitorado flutuante, que normalmente ou vota no centro-esquerda ou vota no centro-direita.

O eleitorado de esquerda vota à esquerda, o eleitorado de direita vota à direita e o eleitorado flutuante é, por norma, mais pragmático e vota ao sabor da corrente.

Quando a esquerda se esquece que é de esquerda e a direita se esquece que é de direita, por norma conquistam votos flutuantes, mas deixam fugir os seus votantes naturais para os extremos. É neste preciso momento que nascem os fenómenos populistas e radicais. Depois, quando estes movimentos extremistas ganham expressão na opinião pública podem até conseguir alguns votos do tal eleitorado que vai ao sabor da corrente.

Mesmo em Portugal, só quando o PS se esqueceu que era de esquerda e meteu o socialismo na gaveta é que abriu alas à existência de um partido populista herdeiro dos despojos maoistas e trotskystas. Ainda que em moldes diferentes, foi isto que também aconteceu na nossa vizinha Espanha com o PSOE – primeiro com a IU e depois com o Podemos.

Da mesma forma, no dia em que o PSD e principalmente o CDS se esquecerem que são de direita também estarão a abrir alas ao surgimento de um partido de extrema-direita em Portugal.

Este é o perigo de termos uma direita envergonhada e que muitas vezes parece ter de pedir autorização à esquerda para exprimir as suas opiniões. Este é o perigo de termos uma direita que tem medo de ser conservadora nos costumes e que fica envergonhada quando lhe chamam liberal na economia.

Não há perigo maior para a democracia do que a existência de uma polícia dos costumes que baliza o debate político dos partidos moderados. Não há o bem e o mal, não existe o correto e o incorreto, existem, sim, opiniões diferentes e, desde que se respeitem os mais elementares valores humanistas, todas são obviamente admissíveis no debate político.

 

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