22/5/17
 
 
José Paulo do Carmo 17/03/2017
José Paulo do Carmo

opiniao@newsplex.pt

Bom dia (do) Pai

Por mais independente que sejas e personalidade que possas ter, é indissociável à tua construção pessoal aquilo que levas de quem te acompanha pela vida fora.

 E levas seguramente. Mais de uns, menos de outros, influenciável, frágil ou seguro, o conjunto de experiências diversificadas e os momentos em fases fundamentais do teu percurso nunca deixarão de fazer parte de ti. Por muito que te aches modernaço e que não dependes de ninguém, as relações humanas fazem parte do teu eu. E ficas melhor, mais feliz e mais perto de teres sucesso se tiveres a sorte (ou fizeres por isso) de teres os bons do teu lado porque, em alturas críticas da tua vida, pode ser decisivo teres aquela almofada que te segura, te apoia e te ampara a queda.

Os pais deviam ser isso. Se são para todos? Infelizmente, não. Se são todos? Também não. Mas quando o são fazem diferença. E se é verdade que vivemos num tempo em que está na moda elogiar as mulheres (talvez um pouco como complexo do que lhes fazemos ou fizemos e das desigualdades a que sempre as submetemos) e não nos cansamos de enaltecer os feitos e méritos das mães que têm de educar sozinhas os seus filhos (eu próprio já o fiz por diversas vezes em crónicas anteriores), é importante não nos esquecermos dos pais super-heróis que também existem por aí.

É, por isso, fundamental que estejamos todos cientes e agradecidos a todos os que, por esse mundo fora, fazem tudo para que nada falhe aos seus filhos, para serem presentes e, ao mesmo tempo, proporcionarem tudo aquilo que eles pedem (e, normalmente, não é nada pouco…), muitas vezes sacrificando o seu prazer pessoal, o seu tempo, as suas poupanças e a sua vida em prol daqueles que ajudaram a trazer cá. Sejam sozinhos ou envoltos num ambiente familiar, o esforço permanente e a concentração total em proporcionar são de uma grandeza incalculável porque, nos dias que correm, é fácil ser-se assoberbado pelo egoísmo obtuso. Existem até por aí alguns ingratos que, por vezes, se esquecem que se fizeram gente com as calças do homem lá de casa e não lhes reconhecem depois o devido valor, nem são minimamente justos ao ponto de retribuir sequer metade do que fizeram por eles. 

Tenho, por isso, pena de quem - seja por que motivo for - não teve essa experiência inolvidável na sua vida: ser filho de um bom Pai. Não é um fator crítico para o sucesso, até porque existem pessoas de grande valor que não o tiveram, mas que é uma grande ajuda, é. E é uma experiência igualmente fascinante ser um bom pai para um filho, porque nada deve ser mais reconfortante do que fazer tudo e de tudo para que o filho possa ter todas as ferramentas ao seu alcance para ter sucesso na vida, para que seja alguém com valores e com objectivos.

Eu tive (e tenho) essa sorte, porque, muitas vezes, mais do que o dinheiro que nos possam proporcionar, teres alguém que tem a atenção de dedicar tempo a ti, tempo de qualidade, que conversa contigo sem olhar para a televisão, que joga playstation ou que te ajuda a construir um lego, ajuda nos trabalhos, te leva ao futebol, te envolve na sua vida, isso tudo é que te vai fazer teres boas memórias da tua infância e te ajudará a seres mais feliz, mais ciente do que queres. Eu tive isso tudo e, por isso, posso falar por experiência própria. O melhor pai do mundo é o meu e disso não tenho qualquer tipo de dúvida, mas sei que há outros por aí quase tão bons. Por isso, parabéns também a esses e obrigado pela magia com que nos envolveram. Não imaginam como foi e continua a ser importante para nós. Bom dia (do) Pai. Porque tu mereces.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

Não tem utilizador? Clique aqui para registar

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×