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De BoCA cheia
Aventesma Fantasma, de João Maria Gusmão e Pedro Paiva

De BoCA cheia

Aventesma Fantasma, de João Maria Gusmão e Pedro Paiva Cláudia Sobral 19/03/2017 17:17

Com Bosch e uma máquina de pinball, mais um concerto/performance de Tianzhuo Chen, Äisha Devi e Asian Dope Boys no Lux, arrancou sexta-feira a primeira edição  da BoCA - Bienal de Artes Contemporâneas, a ligar Lisboa e Porto com 47 artistas nacionais internacionais para duas dezenas de performances e outra de instalações e exposições, mais seis concertos por 23 locais, em 18 estreias mundiais e outras 16 nacionais. Programação que chegue até ao fim de abril, com curadoria de John Romão. Dez sugestões para um programa em que difícil é escolher

 

Pinball Bosch 

Uma bienal lançada por John Romão como diretor artístico não poderia começar de outra forma. A partir de tríptico “As Tentações de Santo Antão” de Hieronymus Bosch (1505), o encenador Rodrigo García, traduz, à semelhança do que é hábito nas suas produções teatrais, a obra de 1505 para os códigos visuais e sonoros de um artefacto icónico do século XX: a máquina de flippers. “Pinball Bosch - venha jogar com Deus e com o demónio”, numa experiência muito pop com a obra de Bosch para se ter logo na abertura da BoCA, no Museu da Nacional de Arte Antiga.

De 17 de março a 30 de abril no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Palhaço  Rico Fode Palhaço Pobre

João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira recorrem ao imaginário circense para uma “parábola absurda” sobre a diferença, o estigma, a  normatividade,  a discriminação  e  os  limites  do convencional, a partir dos filmes “Freaks”, de Rod Browning, e “Os Palhaços”, de Frederico Fellini. E vai ser mesmo um circo isto, senhores, com tenda e tudo aquilo a que um circo tem direito, incluindo palhaços ricos e pobres, com apoio à encenação de Diogo Bento.

31 de março a 2 de abril no Museu de Lisboa; 7 e 8 de abril na Praça D. João I, Porto

Periférico

Dizer que isto é Vhils já bastava para levar meia Lisboa ao CCB, mas “Periférico” é muito mais do que isso. É a primeira criação de palco de Alexandre Farto, que conhecemos das ruas - e museus - pelo nome de Vhils, num desvio do que tem sido o seu meio. “Periférico” constrói-se como uma narrativa a partir do olhar de um adolescente dos subúrbios de Lisboa, numa fusão de artes visuais com música contemporânea e popular, dança clássica e de rua, para um encontro entre a cultura de rua e a cultura de palco.

7 e 8 de abril no Centro Cultural de Belém, Lisboa

Fatamorgana

Este título ainda há de dar um filme, primeira longa de ficção de Salomé Lamas. Mas para já vamos ao teatro, que é disso que se trata na primeira apresentação de “Fatamorgana”. Estreia da artista e cineasta no teatro numa paródia política em uma mulher, Hanan, dá por si num museu de cera fechado nos arredores de Beirute, de onde emergem figuras históricas e contemporâneas. Hanan a tornar-se surda, cega e muda para nos questionarmos sobre para que servem as palavras.

12 e 13 de abril no Centro Cultural de Belém, Lisboa 

Aventesma Fantasma

João Maria Gusmão e Pedro Paiva gostam de registar os seus filmes em alta velocidade para depois os projetarem em câmara lenta, para nos mostrarem detalhes de outra forma imperceptíveis. Efeito “fantasmagórico” que agora levam ao palco de uma sala de teatro com “Aventesma Fantasma”, labirinto de imagens em movimento construído com projeções de 16mm numa representação de teatro Noh em que o fantasma de um demónio procura explicar a experiência da sua própria morte com filmagens num comboio-bala de Quioto a Tóquio. 

31 de março a 2 de abril no Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa

Ethica. Natura e Origine Della Mente

Uma ação teatral de curta duração a partir de “A natureza ou a origem da mente”, segundo dos cinco volumes da Ética de Spinoza (1632-1677), para ver no Teatro Nacional D. Maria II. Conceito e encenação de Romeo Castellucci, que a 28 de março vai ao Porto dar uma masterclass no Teatro Nacional São João, no Porto, onde apresentará ainda “Júlio César - Peças Soltas” (30 e 31 de março). 

25 a 27 de março no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa

1K Ways to Die

Ode à cultura pop a cruzar dança, teatro, patinagem e acrobacia, os espetáculos da performer e coreógrafa Florentina Holzinger exploram os diferentes modos de representação feminina. Procura de um espaço de libertação, expressão do potencial da fisicalidade humana, aqui com Claudia Maté, artista digital voltada para a programação, o 3D, os videojogos, VR, gifs e som. “1K Ways to Die” é a junção dos seus dois universos num evento performativo e plástico. 30 e 31 de Março no Negócio/ZDB, Lisboa

Yves Tumor

Apanhando um avião para Ponta Delgada, haverá oportunidade para o ver no Tremor, o festival que durante cinco dias abala a ilha de São Miguel, nos Açores. Mas antes disso há que satisfazer a ânsia dos continentais que tanto aguardam por este dia em que poderão ver finalmente ao vivo este “Serpent Music” com que Yves Tumor se apresentou ao mundo. Presença que muito agradecemos ao músico e produtor do Tennessee, em Lisboa ou onde for.

6 de abril no Lux/Frágil

Jenny Hval

Concertos nesta bienal são para o clube de Santa Apolónia, já se percebeu, e para quem abriu com Tianzhuo Chen não está nada mal fechar em modo europeu do norte, com Jenny Hval. Experimentação pop pelos campos do feminismo e do capitalismo, com “Apocalypse, Girl” e “Blood Bitch” e os seus vampiros e a menstruação e os filmes de terror dos anos 70 como armas e está tudo dito, ou quase, que melhor só ao vivo.

30 de abril no Lux/Frágil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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