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Burlas famosas. Os casos mais mediáticos que ganharam fama mundial

Burlas famosas. Os casos mais mediáticos que ganharam fama mundial

Sónia Peres Pinto 20/03/2017 17:46

Madoff e Telexfree são alguns dos casos mais famosos e que ganharam uma elevada dimensão quer pelo número de indivíduos lesados quer pelo nome dos burlões

Durante décadas, quem investia as suas poupanças junto de Bernard Madoff beneficiava de uma rentabilidade de cerca de 10%, ano após ano e independentemente das condições de mercado. Devido ao seu prestígio, Madoff estava acima de qualquer suspeita e beneficiou dessa fama durante vários anos.

Em teoria, o dinheiro investido seria aplicado em ativos financeiros. No entanto, no final de 2008, incapaz de fazer face aos pedidos de resgate, admitiu aos filhos que era tudo “uma grande mentira”. Os 65 mil milhões de euros que os seus clientes pensavam ter afinal só existiam no papel. Ainda assim, do capital que lhe foi entregue, Madoff perdeu “apenas” 20 mil milhões de euros. Mas foi o suficiente para se tornar um dos maiores burlões da história.

Além da credibilidade dada pelo nome Madoff, outros fatores permitiram que a fraude permanecesse durante tanto tempo. Por um lado, o retorno oferecido aos clientes, apesar de elevado, não era de tal forma exagerado que levantasse demasiadas suspeitas. Por outro, por não ser demasiado alto, este retorno evitava que o esquema se tornasse insustentável rapidamente.

Mas este é apenas um dos vários casos famosos de burla. Outro exemplo é a Telexfree - fundada nos Estados Unidos por Carlos Wanzeler e James Merril -, empresa que desenvolvia a sua atividade sobretudo no Brasil e junto das comunidades brasileiras espalhadas pelo mundo.

Em Portugal, onde as perdas estão estimadas em 50 milhões de euros, este sistema esteve particularmente ativo na ilha da Madeira. Ao todo, James Merril terá enganado mais de um milhão de clientes e movimentou mais de mil milhões de euros apenas em 2013. Mais de 119 mil lesados já processaram a TelexFree.

A Telexfree alegava vender pacotes de comunicações eletrónicas, que funcionavam através do protocolo VOIP, um serviço semelhante ao Skype, mas pago. Como funcionava? Quem aderia a este esquema tinha de pagar uma comissão. Mas ao mesmo tempo, eram prometidos rendimentos elevados, regulares e sem risco. Bastava, para isso, cumprir tarefas sem verdadeira relevância prática. Os chamados “divulgadores” tinham apenas de copiar e colar anúncios. Embora a empresa afirmasse que o recrutamento não era necessário, os participantes ganhavam dinheiro com a angariação de novos membros.

A falta de informação prestada também era, em si mesma, um sinal de alerta. Foi a justiça brasileira a primeira a atuar contra a Telexfree, ao bloquear alguns ativos da empresa no país. Mas o golpe final foi dado nos Estados Unidos, onde James Merril foi preso e acabou por declarar-se culpado em tribunal, em outubro passado. Enfrenta uma pena de prisão de até dez anos.

Já Carlos Wanzeler foi detido, no início deste ano, com quase 19 milhões de euros escondidos debaixo do colchão do seu apartamento em Westborough, a cerca de 50 quilómetros de Boston, Massachusetts, nos Estados Unidos.
 

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