22/5/17
 
 
Francisco Simões Rodrigues 24/03/2017
Francisco Simões Rodrigues
Cronista

opiniao@newsplex.pt

Hoje, muitos gostam de descer ondas. Amanhã serão mais

Surf: desporto espontâneo e para todos. Importa perceber a profundidade destas duas características da modalidade. 

O interesse económico do surf é um assunto da máxima atualidade. Referi em tempos que o surf é muito mais do que um desporto. Pretendia relevar que à prática da modalidade estão hoje associadas outras dimensões de várias naturezas. Posso começar por destacar o evidente – e muito falado – forte contributo para o engrandecer dos números do turismo em Portugal. Ou da indústria endémica que, embora atravesse uma fase mais atribulada, não deixa de ser um polo de empresários e empregos dedicados ao surf a tempo inteiro, participando até na folha de exportações da balança comercial portuguesa. Mas há mais e diferente. Por exemplo, as propriedades terapêuticas, psíquicas e de desenvolvimento de competências que o surf tem capacidade de produzir, induzindo resultados de reabilitação muito significativos em alternativa aos formatos tradicionais através de medicação. Ora, todas estas dimensões (e outra mais) vivem assentes num pilar comum: a prática livre e natural da modalidade. Espontânea. 

E para todos. Mais jovens ou mais experientes, para o menino e para a menina. Ondas grandes, competição, lazer, adaptado, direcionado, derivados e modalidades similares. Não gosto muito da expressão “surfing” para inserir todas estas vertentes debaixo do mesmo chapéu. Mas a ideia é simples: nas suas mais variadas formas, todos gostamos é de descer umas ondas. 

Entramos, assim, na natural discussão da massificação do desporto. João Meneses, um pensador do surf, muitas vezes no sentido mais puro, refere que “usam demais a palavra atleta e de menos a de surfista’. Com toda a propriedade, aponta para a importância da essência da modalidade. Refere que esta não pode ser perdida, e com toda a razão. 
No extremo oposto, a penetração mainstream de um desporto outrora de nicho vai-se intensificando. Sempre com o surf enquanto personagem principal, existe um número crescente de atividades de tempos livres, desenvolvem-se programas escolares inseridos na recente descentralização de competências na educação a favor das câmaras municipais, a competição vai ganhando cada vez mais agenda, invoca-se o surf como fator de diferenciação de Portugal no mundo global, a economia de mar, as campanhas publicitárias com marcas não endémicas que usam o surf como veículo de comunicação dos seus produtos ou serviços. Em expressões “puras” de João Meneses, temos aqui uma convivência comum entre “pinguins da cidade” e “surfistas”. Ou atletas. 

Uma coisa é certa. Existem os que já descem umas ondas, os que se cruzaram na vida com estes e que, entretanto, começaram também a descer ondas, e os outros que ainda não sabem mas, amanhã, vão começar a descer ondas. E, cada vez menos, os outros. Os mais críticos da massificação podem ficar descansados porque, com mais surfistas nas ondas ou sozinhos, numa praia mais urbana ou selvagem, a experiência espontânea será autêntica como sempre e disponível para as vontades de todos.

Termino com uma mensagem de boa sorte aos melhores surfistas nacionais que começam hoje a lutar pelos títulos máximos de surf em Portugal no Allianz Ericeira Pro, 1.a etapa da Liga MEO Surf 2017. Que vençam os melhores! 

 

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