22/5/17
 
 
Marcos Pinto 19/04/2017
Marcos Pinto
Cronista

opiniao@newsplex.pt

Os erros do Presidente que gosta de ir a todas

Não votei em Marcelo. No melhor Presidente da nossa história. Parece arriscado fazer uma avaliação tão clara quando ainda faltam nove anos para Marcelo sair de cena. Se fosse hoje, voltaria a não pôr a cruz no Marcelo. Tenho uma razão válida. 

A vitória era de caras e, quando assim é, o voto torna-se ainda mais relevante quando apostamos as fichas num candidato que vai ganhar, sabendo que podemos dar força a outro. Força é o nome do meio do Presidente Marcelo. Nada mau para um hipocondríaco. Forte é o abraço que dá a um sem-abrigo, como pode ser o ralhete a Passos Coelho ou a Mário Centeno. Nada mau. E os puxões de orelhas que já deve ter dado a António Costa e nós não sabemos. Marcelo está em forma e vai continuar a estar. E é por estar a fazer uma Presidência tão boa que os erros sobressaem de uma forma preocupante. Por uma razão simples: não parece nada o Presidente. Marcelo já anda nisto há muito tempo. Na política e na vida. Que, para ele, é política.

Há coisas que não se compreendem. Falo do precedente presidencial perigoso que foi aberto com a ida a Lamego para dar um abraço aos familiares das vítimas que morreram na fábrica de pirotecnia. Ou agora, no acidente com a aeronave em Tires, quando Marcelo pareceu ter chegado mais rápido que o INEM. Para acalmar a população? A ideia é boa, o Presidente mostra coração, mas agora como vai ser quando houver um choque em cadeia numa qualquer estrada ainda com mais mortos? Ou uma tragédia familiar quando um bebé cair de uma varanda? Vai o Presidente estar, dar um abraço a esses pais, ou só se a agenda o permitir? Um telefonema bastaria, era um bom consolo, mas o superpresidente não é o super-homem que vai conseguir estar sempre em todo o lado. Marcelo deve olhar para as tragédias que resultam em mortes como Presidente. Não pode ser o homem. Mas pode sê-lo quando olha para as tragédias em vida que é acompanhar uma ronda aos sem-abrigo com roupa e comida e saber que essa atitude é uma homenagem a todos os que não tem teto para passar a noite.

Marcelo gosta de ir a todas. Mas não pode. É um erro. Os precedentes são um perigo. O Presidente não pode emitir uma nota de pesar pela morte de George Michael só porque. Como vai ser ,de agora em diante, sempre que morrer um grande artista ou, pelo menos, julgado como tal por um grupo de fãs portugueses, num caso que porventura não é tão notícia?

Há uma diferença entre as histórias de vida e de morte. Sim, às vezes o Presidente tem de ser só Presidente, não pode ser homem. É a vida. Do melhor Presidente que este país já conheceu.

Jornalista da TVI

 

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