25/6/17
 
 
Igualdade socialista

Igualdade socialista

Mauro Xavier 20/04/2017 11:34

No dia em que Thomas Piketty foi recebido no Largo do Rato e fervorosamente ouvido e acolhido, o Partido Socialista tal como o conhecíamos altera-se. Hoje, com a distância do tempo e dos acontecimentos, é evidente que aquela visita passa a ícone balizador duma política da esquerda modernaça. Sim, modernaça, porque apelidá-la de moderna é poucochinho!

O caráter social do Estado nunca foi renegado na vivência democrática pós-25 de Abril por nenhum dos partidos que governou. E, claro, sempre foi entendido que esta vertente social estatal deve ocupar-se dos que maior carência económica têm, não se descurando o acesso universal ao sistema de saúde e apoios sociais vários. Proporcionou-se até, e muito bem, um ensino público de excelência que permitiu, a muitos dos hoje adultos, terem melhorado substancialmente as suas condições de vida, se comparados com as gerações anteriores. Permitiu-se uma progressão económica e social.

Agora, num ápice, ao que parece, Portugal já não precisa de se preocupar com os pobres porque, afinal, o problema são os ricos. Por isso, assistimos a um agravamento das políticas fiscais com tributação agravada dos ditos mais ricos, primeiro no rendimento e depois no património. Tudo sob a manta duma redistribuição de riqueza que, sendo evidentemente necessária, tem tido pouco de visível, sobretudo ao nível do tratamento das despesas gordas do Estado. Sob proposta dos jovens socialistas e com o apoio entusiástico do BE, vimos o PS abrir a porta à limitação salarial no privado. O manto de envolvência deste pretenso elixir para resolução de problemas sociais seria diminuir o fosso entre vencimentos. Ora, e que tal gastar energias a pensar em medidas para aumentar os vencimentos mais baixos? Se calhar dá mais trabalho, mas o resultado não seria tão mais condicente com o nobre objetivo? E de que adianta à D. Lucinda, caixa do Pingo Doce, que o Sr. Soares passe a ganhar menos? Provavelmente, o Sr. Soares pega no seu conhecimento e no chorudo saquinho de notas e vai abrir supermercados para outro lado mais aprazível e onde não o ostracizem por ser 745.o na lista dos mais ricos do mundo. E já agora, o que é ser rico em Portugal? É que esse conceito varia, porque um rico é sempre aquele que ganha mais que nós próprios. 

Falando em desgraça, historicamente só se conhecem quatro formas de reduzir o fosso entre ricos e pobres: queda de impérios, catástrofes naturais e/ou pestes, guerra ou revolução. Nenhuma delas favoreceu os mais desprotegidos. Portanto, ou realmente se aproxima uma verdadeira revolução e o PS, desta feita, pactua com uma política comunista, ou então é só para desviar as atenções dos seus parceiros de geringonça.

Líder do PSD Lisboa

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

Não tem utilizador? Clique aqui para registar

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×