22/5/17
 
 
Afonso de Melo 20/04/2017
Afonso de Melo
opiniao

opiniao@newsplex.pt

A tourada de Madrid

Geralmente, os jogos da Liga dos Campeões que não decorrem em Portugal merecem-me um tempo tranquilo, sentado à mesa, em amena cavaqueira com amigos, partilhando ideias e refeições. 

No menu do futebol, um Real Madrid-Bayern de Munique é um prato opíparo. De fazer crescer água na boca. Perceber à primeira garfada que estamos perante comida estragada, provoca vómitos. Há, aqui, claro, o problema do vício. Não se deixa um jogo destes a meio e também não dá para mandar para trás. Por isso, vê-se. E enjoa. E enoja.

Os golos de Ronaldo fazem com que a imprensa portuguesa se tenha geminado numa espécie de assobiar para o lado com a imprensa de Madrid. E, vendo bem, o facto de os alemães terem sido assaltados numa esquina do caminho por um bandido de arma enclavinhada como n’A Ilustre Casa de Ramires, deixa muita gente de consciência aliviada. Afinal, trata-se de dobrar a espinha ao mostrengo teutónico, encarnação de todo o mal político/social/económico desta nova noção de Europa repleta de fantasmas. A alegria transbordante dos jogadores do Real, no fim do jogo, foi, em cima da tal matéria pútrida, muito, mas muito, indigesta. Os Grandes de Espanha eram conhecidos pelo seu orgulho. Não pelas suas vergonhas. A tourada de Madrid meteu chicuelinas, ferros de palmo, bandarilhas, velhas, chocas, capotes e mantilhas pretas; aldrabões, marialvas e coristas e galifões de crista. E disse o inteligente que acabaram as canções...

afonso.melo@ionline.pt

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

Não tem utilizador? Clique aqui para registar

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×