28/6/17
 
 
João Gomes Almeida 21/04/2017
João Gomes De Almeida
Cronista

opiniao@newsplex.pt

A legalização das drogas leves devia ser uma bandeira da direita

Até quando vamos manter esta mentalidade mesquinha de que o Estado tem de se comportar como o paizinho de todos nós?

Hoje, no meu caso, que estou a escrever a crónica – ou ontem, para si que a está ler agora – “comemora-se” o “dia da marijuana”. Segundo o “Observador”, “a efeméride é ilegal, claro, mas tornou-se suficientemente popular para assumir uma dimensão mundial”.

De todos os temas ditos fraturantes, este é sem sombra de dúvida aquele que não me levanta qualquer questão: o Estado não tem nada a ver se eu quero ou não fumar drogas leves, principalmente quando a sua legalização poderia significar uma maior receita fiscal para o mesmo e quando existem drogas que fazem tão mal ou pior e estão legalizadas.

Quando falamos da interrupção voluntária da gravidez, por exemplo, a discussão não pode ser só sobre a decisão da mãe. Há uma vida que se extingue e a quem nunca foi perguntado se preferiria viver.

Quando falamos da adoção de crianças por casais do mesmo sexo, idem aspas. Falamos também de uma terceira vida que se transforma e pode (ou não) sair beneficiada ou prejudicada, de acordo com as perspetivas de cada um. Mas agora, quando discutimos o direito de as pessoas fumarem drogas leves: quem é que sai prejudicado que não apenas o próprio consumidor? Até quando vamos manter esta mentalidade mesquinha de que o Estado tem de se comportar como o paizinho de todos nós? Deixemos ao Estado o que é do Estado e à consciência de cada um o que cada qual faz com o seu próprio corpo.

Não é normal, no século xxi, que alguém que seja apanhado a fumar um charro seja tratado como um toxicodependente marginalizado pela sociedade.

Só no país dos “vícios privados e públicas virtudes” é que se pode achar normal obrigar alguém que foi apanhado a fumar um charro a passar pela humilhação de se apresentar num centro de dissuasão da toxicodependência.

Só no país do “respeitinho” é que se prefere mascarar o consumo de drogas leves, deixando o monopólio do negócio aos traficantes, em vez de se legalizar a venda controlada destes produtos.

Que a esquerda tacanha, que vive obcecada com a presença do Estado na economia, na regulação laboral e na nossa vida pessoal, seja contra a legalização, isso eu até percebo. Agora, que a direita liberal entre no perigoso jogo de legitimar o papel abusivo do Estado, isso já não tem explicação.

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