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Francisco Simões Rodrigues 28/04/2017
Francisco Simões Rodrigues
Cronista

opiniao@newsplex.pt

Surf nas Escolas: mais desporto ou mais economia?

A Senhora Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, indicou na semana passada que é seu desejo democratizar a prática de desportos de mar nas escolas, entre eles, o surf. Boas notícias! Confiamos agora que os laços programáticos entre os Ministérios da Educação e do Desporto se desenvolvam com a devida naturalidade, envolvendo as Câmaras Municipais e a Federação Portuguesa de Surf, e recorrendo às devidas linhas de financiamento sem grandes sobressaltos ou complicações.

Um aumento de recrutamento da modalidade na base é, com toda a certeza, um forte indutor da sua evolução no médio prazo mas também um catalisador da indústria endémica na sua generalidade. São esboçados alguns objetivos onde, no global das modalidades consideradas, traça-se uma meta de quase duplicar os números atuais para os 80 mil alunos abrangidos pelo programa de acesso ao mar através do desporto escolar. Não é tudo para o surf mas ainda assim é bastante animador.

Para além deste incremento do recrutamento, outros benefícios são também expectáveis num plano direto da modalidade mas também em aspetos mais gerais da sociedade azul.

Começando pelo domínio do surf. As escolas de surf e seus treinadores serão atores cruciais neste processo. Se por um lado terão uma oportunidade de reforçar os seus laços de negócios com as câmaras municipais, por outro, serão os principais agentes de consolidação do interesse dos alunos no surf. A taxa de sucesso deverá ser medida por aqueles que deem o devido seguimento a este programa enquanto atividade extracurricular e por vontade própria. É assim mais um vetor de massificação do surf, trazendo a consequente externalidade positiva de dinâmica económica para os produtos e serviços de surf.

Passando agora aos efeitos colaterais de nível geral, é também dito que assim se conseguirá mais literacia oceânica. Isto não é uma consequência qualquer. É profunda e muito importante. Desde Maio de 2009 que Portugal tem um pedido em apreciação na ONU relativo ao alargamento da sua plataforma continental com vista a uma soberania de um território marítimo equivalente ao tamanho da Índia (ou 41 vezes a área de território português emerso). Imagine-se as oportunidades afetas aos recursos naturais marítimos que daqui advêm.

Pode parecer um bocado rebuscado mas a realidade é que quando os mais jovens se envolvem com o mar através do surf, é normal que alguns ou até muitos deles venham a querer ter as suas atividades profissionais em ambiente salgado. Considero que a Ministra do Mar tem muita propriedade quando refere que o programa agora anunciado procura também “sensibilizar os jovens para as oportunidades que resultam do mar e também passar a mensagem sobre as obrigações que temos relativamente ao oceano.” Há aqui tanto de basilar como fundamental para o desígnio nacional do Mar. O desporto e a economia ficarão a ganhar. Esperemos então que as ideias possam “sair do tubo” (manobra rainha no surf) e assim ver a luz do dia. Desejo um bom trabalho a todos os envolvidos.

 

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