25/6/17
 
 
José Cabrita Saraiva 16/05/2017
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Salvador e a batalha contra o mau gosto

No meio da piroseira generalizada que desfilou pelo festival, a atuação do cantor portugês destacou-se pela simplicidade e o sentimento.

Talvez por alguma snobeira, talvez justificadamente, nunca liguei muito ao Festival da Canção. Pareceu-me sempre um concurso de segunda categoria e uma espécie de glorificação do pimba à escala europeia – se não mesmo uma fantochada.

Mas este sábado, como tantos outros portugueses, troquei as imagens dos festejos do tetra do Benfica pela transmissão do Festival. Quando mudei de canal, foi com entusiasmo que vi que Salvador Sobral seguia na frente da classificação. Não apenas por ser português, mas também por representar o oposto do mau gosto que domina o festival. Ao mesmo tempo, fiquei curioso em relação à atuação espanhola: por que não mereceu um único ponto por parte do júri? Seria assim tão má?

Recuei a emissão e não tive dificuldade em perceber o motivo: um jovem com uma camisa havaiana e um sorriso de plástico cantava em inglês, enquanto por trás apareciam imagens do pôr do sol, de pranchas de surf e de palmeiras que pareciam aquelas que decoram os aquários das tartarugas.Mais kitsch era impossível.

Salvador Sobral não optou pelo hip-hop nem outro género da moda para parecer muito modernaço (nem sequer fado, registe-se…). Dispensou adereços, efeitos de luzes e batucadas. E também não precisou de cantar noutra língua para a sua mensagem ser bem compreendida pelos juízes estrangeiros. No meio da piroseira generalizada que desfilou por aquele festival, a sua atuação destacou-se pela simplicidade e o sentimento.

Percebe-se por isso o seu discurso, quando disse que “vivemos num mundo de música descartável, de música fast food sem qualquer conteúdo” e que “a música não é fogo de artifício”. Tem toda a razão mas, pelo que vimos dos outros concorrentes, suspeito que estivesse a pregar na freguesia errada.

P.S. Os noticiários mostraram ontem um dos penáltis mais insólitos da história do futebol, sancionando uma alegada intervenção de um suplente do Sporting B, que terá tocado na bola quando esta ia sair pela linha final. Os comentadores aplaudiram a decisão do árbitro, dizendo que fez cumprir a lei. Mas o árbitro também devia zelar pela justiça e um golo assim obtido altera completamente a verdade do resultado. 

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