23/5/17
 
 
João Lemos Esteves 16/05/2017
João Lemos Esteves

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António Costa: o Papa tudo (e todos)

O “papa” António Costa não é o escolhido do Espírito Santo – mas é um sucessor à altura dos Espíritos Santos e de José Sócrates, rivalizando pelo título (hoje vago) de “DDT”

1. Este foi um fim de semana especial para Portugal e para os portugueses: pela primeira vez, um intérprete português conquistou a Europa musical, ganhando a Eurovisão e –mais relevante que todas as realidades terenas – o nosso país mereceu a visita de Sua Santidade o Papa Francisco I. Não deixa de ser simbólico que estes dois factos históricos tenham ocorrido no mesmo dia: ambos exaltam o lado espiritual do ser humano; ambos são a celebração e a consagração do dom, que mais não é, afinal, que a graça conferida por Deus e desenvolvida pelo génio e talento humanos (o dom da religiosidade e o dom da musicalidade); ambos são a expressão da alma portuguesa e prestam homenagem à identidade nacional.

2. Desenvolveremos estas ideias em próximo artigo aqui no “i”. Assim como nos proporemos a efectuar uma nálise rigorosa e descomplexada da actuação do Papa Francisco, para além das banalidades e das ideias comuns que têm pululado nos últimos dias nos media portugueses: importa discutir, finalmente, o lugar de Deus no espaço público e na política nas sociedades hodiernas. Sem saudosismos do passado. Sem preconceitos ou complexos do politicamente correcto e dos progressistas, essa classe tão folclórica quanto intelectualmente preguiçosa.

3. Hoje, porém, há que destacar uma dimensão mais surpreendente e reveladora do sábado único que Portugal viveu no último fim de semana: finalmente, os portugueses podem-se orgulhar de ter um novo “papa”. Contudo, ao contrário, do Papa João XXI (o único Santo Padre português na história da Igreja Católica Apostólica Romana, no século XIII), este nosso “papa” não é iluminada pelo Espírito Santo: é apenas iluminado por uma ambição política ilimitada, sem freios de qualquer índole, nem mesmo éticos ou morais.

E conta com a cumplicidade de uma comunicação social (salvo honrosas excepções) que se converteu à sua política e à sua pessoa, abdicando de qualquer racionalidade crítica ou cumprimento das regras de imparcialidade e independência que deveriam ser a pauta valorativa mínima da sua actividade. Há até quem diga que o sonho de muitos jornalistas da imprensa do politicamente correcta (e do jornalisticamente incorrecto) é tornarem-se séquitos do “papa” português”, ou seja, de António Costa. No sábado, mais uma vez, ficou demonstrado que António Costa “papa” tudo…e todos.

4. De facto, o “Dono Disto Tudo” António Costa vai a todas: na sexta-feira, tomou conta das crianças de um comentador de um jornal; depois, recebeu o Papa Francisco, foi à missa e à Procissão das Velas, depois de uma jantarada com a família e Marcelo Rebelo de Sousa, em Fátima. No sábado de manhã, António Costa voltou a ir à missa e à cerimónia de canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco, participando activamente com a sua família nos rituais litúrgicos (a imagem da filha de António Costa a beijar e a abraçar efusivamente Marcelo Rebelo de Sousa em plena missa vai entrar na História política nacional: afinal, a coabitação abrange inclusive as relações familiares, unidos muito para além da “Paz de Cristo”).

À tarde, o “papa” Costa ainda foi despedir-se do Papa Francisco a Monte Real, seguindo depois para o Estádio da Luz onde assistiu à consagração do tetra do Benfica, aí ficando para a festa no camarote presidencial. Como se não bastasse, ainda no sábado, António Costa esteve muito atento à actuação de Salvador Sobral (parabéns, grande Salvador!) para disputar com Marcelo Rebelo de Sousa o estatuto de “primeiro a reagir à vitória portuguesa na Eurovisão”. E não é que – facto inédito! – o “papa” António Costa ganhou a Marcelo, congratulando primeiro o músico português pela vitória? Nem Marcelo consegue acompanhar o novo “papa” português!

5. Não há dúvidas: António Costa é o verdadeiro “papa”… tudo e todos. Costa é o “papa tudo”: aí onde houver a possibilidade de captar votos, aí estará António Costa. Não deixa de ser curioso (e tristemente bizarro) que, neste Portugal geringonçado, as duas mais altas figuras do Estado (Presidente da República e Primeiro-ministro) andem a disputar o lugar de personalidade com mais habilidade para preencher o espaço mediático – ou seja, de aparecer mais vezes nos jornais e nas revistas…

6. Não se pense, porém, que António Costa foi a Fátima apenas por decoro institucional. Nada disso: António Costa percebeu que a visita do Papa era uma oportunidade única para maximizar a sua estratégia política. O “papa” Costa gizou o seu golpe político-institucional com a bênção da extrema-esquerda, sem a qual não chegaria a Primeiro-Ministro. Agora, pretende recolocar-se ao centro político –daí que tenha moderado o seu discurso, deixando os radicalismos para Pedro Nuno Santos e outras figuras menores do Governo e do PS.

7.Ora, o encontro com o Papa e a visita a Fátima, permitem a António Costa mostrar que comunga dos valores cristãos (independentemente das crenças religiosas)e que está em sintonia com o sentir colectivo da maioria do povo português. Ou seja: António Costa está com os comunistas e com os bloquistas – contra a direita reaccionária liberal e capitalista sem sensibilidade social. António Costa está com a direita sociológica e os socialistas conservadores – contra os comunistas e os bloquistas na crítica à igreja Católica e aos costumes do povo português. Conclusão: António Costa está em todo o lado, não estando em lado nenhum. É o papa tudo.

8.Qual o objectivo último de Costa? Tirar os eleitores do PCP e do BE, tentando levá-los a votar útil no PS. Por outro lado, ir progressivamente conquistando o centro – católico e conservador-liberal – com um discurso de rigor nas contas públicas, respeito pelas opções de política externa estruturantes da República Portuguesa e …de fé. Tudo para tirar votos ao PSD e ao CDS. O nosso papa António Costa quer, pois, “papar” todos: da extrema-esquerda à direita. Uma espécie de União Nacional costista.

9.Conclusão: o “papa” António Costa não é o escolhido do Espírito Santo – mas é um sucessor à altura dos Espíritos Santos e de José Sócrates, rivalizando pelo título (hoje vago) de “DDT”. António Costa, o “papa tudo e todos”. Até quando?

P.S. Para um católico, como é Marcelo Rebelo de Sousa, não será pecado incentivar e promover uma autêntica exploração política de um fenómeno religioso tão marcante e significativo para muitos como é o milagre de Fátima, por parte de António Costa, que até colou o Papa Francisco às políticas do seu Governo? Marcelo promoveu uma verdadeiro “vendilhão do templo”, contra os quais Jesus Cristo se insurgiu…

 

Escreve à terça-feira

 

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