25/6/17
 
 
Eduardo Oliveira e Silva 17/05/2017
Eduardo Oliveira e Silva

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Inesquecível

Foi inesquecível o 13 de Maio, uma prova de que para se conseguir algo é preciso mérito, trabalho coletivo, convicção ou fé.

1) Só quem seja simultaneamente antirreligioso, antibenfiquista e antifutebol e também não goste de música é que se poderá queixar do passado fim de semana. Convenhamos que não é fácil encontrar um espécimen assim, mas há de haver um ou outro, nem que seja para se armar em original. Viveram-se dias inesquecíveis, especialmente o 13 de Maio em que tudo aconteceu. Em Fátima juntou-se um povo ordeiro e religioso. Quem lá não esteve viu à distância, comoveu-se ou respeitou, como o impõe a tolerância. No futebol, o Benfica fez história. No fim das contas, até Jesus, um homem de egocentrismo doentio, e Espírito Santo reconheceram mérito aos tetracampeões. No festival foi a dupla Salvador e Luísa Sobral que brilhou, mostrando que se pode fugir ao musicalmente correto que caracterizava a maioria das canções da Eurovisão e do concurso de cá. Felizmente houve o “milagre” destes Sobral.

Em Portugal têm soprado ventos de mudança que vão da política ao futebol, passando fortemente pela economia. De tudo isso há uma ilação a tirar. Nada se consegue sem empenho e trabalho de equipa, seja ela composta por dois ou por centenas, sem inteligência e estratégia ou com “bota-abaixismo” cinzentão. Há uma era nova. Marcelo, António Costa, Guterres, Ronaldo, Fernando Santos e D. Manuel Clemente podem talvez simbolizá-la, para além dos protagonistas diretos dos últimos dias e dos jovens empresários nacionais. Vivemos uma onda positiva que potencia negócios e o protagonismo internacional do país, agora mais confiante nas suas potencialidades. A história mostra que tudo tem ciclos. Importa não nos deslumbrarmos. Mas devemos estar orgulhosos de termos gente que soube construir projetos vencedores em muitas áreas, colocando Portugal no mapa mas, desta vez, orgulhosamente acompanhado e aclamado. Infelizmente não tudo é tão elevado. Veja-se.

2) Passos Coelho iniciou aquilo a que chamou higienização da concelhia PSD de Lisboa, afastando das listas alguns dos anteriores candidatos. Particularmente visado foi Daniel Gonçalves, o presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, onde fez um excelente trabalho. Na base desta perseguição estão acusações recentemente plantadas no “Observador” que também visavam Rodrigo Gonçalves, filho de Daniel. Rodrigo foi apresentado como um cacique dono de um sindicato de votos, apesar de ser dos poucos dirigentes que defendem primárias no PSD. A campanha contra os Gonçalves e outros parece saída do gonçalvismo de 75, com escribas a lançar ataques que justificaram os saneamentos selvagens. Entretanto, Cristas pula e avança, e Medina soma e segue. A nível nacional, o PSD tem agora uns fantásticos 24% de intenções de voto em legislativas, contra 42% do PS.

3) Teresa Leal Coelho primou pela ausência na receção ao Benfica pelo tetra ocorrida na Câmara de Lisboa. Especialista em faltas a tudo o que diga respeito à capital, a candidata estava em Madrid, de visita ao marido, que ali representa Portugal enquanto embaixador. Quanto à campanha, já está decidido. Pedro Pinto será o diretor; Luís Monteiro, que esteve na Segurança Social por nomeação de Passos, integra a equipa; e a empresa de comunicação Lift, de Salvador Cardoso, fica com a propaganda.

4) O programa mais inteligente da SIC Notícias saiu da grelha. Era emitido de madrugada, para onde fora atirado. Apresentado e feito por Pacheco Pereira, “Ponto e Contraponto” era um hino à inteligência, tratando temas importantes sem facilitismos e dando que pensar. Ficou mais pobre a informação da televisão de Carnaxide.

5) Umas das técnicas para alguém se tornar popular é pôr-se em bicos de pés e usar o espaço mediático para atacar figuras conhecidas. Em Portugal temos um grande especialista na coisa, o sr. Tavares, um humorista e comentador que assegura ser de direita, embora proclame sensivelmente as mesmas coisas que um bloquista, mas ressalvando a cada três minutos que não é de esquerda.

A criatura alimenta também uma crónica regular num jornal de referência. Aí, o plumitivo potencia plenamente a técnica da pesca aos likes que o alimentam. Pega numa figura pública daquelas sérias, que têm vida feita com méritos e estudos a sério, e ataca-a por uma ideia qualquer, tentando achincalhá-la. Outras vezes tenta projetar-se com críticas a jornalistas de verdade ou a comentadores com mais saída do que ele. Normalmente, ninguém lhe dá troco. Recentemente atirou--se à tolerância de ponto para ganhar cromos na caderneta de likes. Pediu a António Costa para lhe tomar conta dos filhos nesse dia da vinda do Papa. Esqueceu-se que entre um debutante e um verdadeiro artista há um abismo. Costa chamou as criancinhas a S. Bento e andou a passeá-las perante os media. O cronista teve palco. A família deve ter ficado radiante por ver os meninos na TV com o nosso primeiro-ministro. Um triunfo digno da “Casa dos Segredos”. António Costa mostrou que é realmente o mestre do oportunismo (este no bom sentido) e foi quem mais ganhou. Depois de acolher os miúdos do humorista, Costa pegou na sua própria filha e levou-a a ver Papa. Fez o que deveria ter feito alguém que se proclama de direita.

 

Jornalista

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