25/6/17
 
 
José Cabrita Saraiva 18/05/2017
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Se fosse hoje, os Mirós ainda iriam para o Porto?

Com muitos sorrisos e palmadinhas nas costas, a inauguração da exposição dos Mirós na Casa de Serralves foi o ponto alto da cooperação entre o governo de António Costa e a autarquia de Rui Moreira.

As cerca de 80 obras pintadas pelo catalão Joan Miró entre 1924 e 1981 e agora expostas na Casa de Serralves tiveram uma vida atribulada. Adquiridas a um colecionador japonês pelo famigerado BPN, acabaram por passar grande parte dos últimos anos fechadas, sem ver a luz do dia, em cofres de bancos.

Quando o BPN faliu, o Estado português não quis exercer o direito de compra, optando por leiloá-las em Londres. Mas o leilão foi cancelado à última hora e as pinturas ficaram num limbo de incerteza do qual só seriam resgatadas pelo governo de António Costa. E bem.

O primeiro-ministro, num gesto de boa vontade – ou numa espécie de oferenda aos deuses – entregou as obras de mão beijada à cidade do Porto, numa cerimónia que teve muitos sorrisos e palmadinhas nas costas. Foi o momento mais alto da cooperação institucional entre o executivo de António Costa e o presidente da câmara. Todos saíam a ganhar: os Mirós tinham finalmente encontrado um lar à altura, Costa tinha ganho mais um apoiante e Moreira tinha agradado aos portuenses.

Acontece que, tal como certos diamantes, estas pinturas parecem estar amaldiçoadas – e a harmonia entre Costa e Moreira não durou muito tempo. Quando a socialista Ana Catarina Mendes disse que uma vitória de Rui Moreira seria uma vitória do PS, o independente reagiu. Não gostou, por um lado, que estivessem a colá-lo à esquerda e, por outro lado, talvez ficasse irritado por outros estarem antecipadamente a apropriar-se dos louros.

O “namoro”, que atingira o apogeu na inauguração da exposição dos Mirós em Serralves, desfez-se e o PS apresentou de imediato o seu próprio candidato à Câmara do Porto. E se fosse hoje? António Costa teria demonstrado a mesma boa vontade para com o autarca independente? Os Mirós iriam na mesma para a Invicta?

Ainda bem que o primeiro-ministro garantiu que as pinturas ficariam definitivamente em Serralves, porque suspeito que, de outro modo, Moreira perderia o direito ao seu presente.

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