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Filipe Baptista 18/05/2017
Filipe Baptista

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Volta, Portas, estás perdoado!

Hoje olho para o CDS e o que vejo? Um punhado de banalidades, demagogias e desnorte político e ideológico. E tenho pena. Confesso que tenho pena. Pelos bons amigos que ali tenho mas, sobretudo, pelo vazio que o CDS deixa no puzzle político português

A vida política não é para todos. Recomendam-se doses cavalares de jogo de cintura, frieza e discernimento que permita separar as águas do que é político e do que é pessoal. Recomenda-se capacidade de objetividade para que, no meio de todo o jogo político, se acabe por se concentrar na vida das pessoas.

Durante alguns anos em que estive envolvido na vida política ativa consegui fazê-lo e, como resultado, ainda hoje guardo bons amigos de diferentes quadrantes políticos, mesmo que com eles tenha tido discordâncias acérrimas. Acima de todas as divergências e para lá da amizade que foi sendo construída, um valor estava acima de todas as matérias: o respeito – a chave para o sucesso em qualquer relacionamento.

Orgulho-me de ter colecionado boas relações e amizades do PCP ao CDS, passando pelo PSD e, claro, no PS, partido onde militei ativamente. Encontrei nesses partidos, mais do que opositores políticos, pessoas estruturadas, intelectualmente brilhantes e ideologicamente fiéis às suas matrizes. O que, concordasse com elas ou não, merecia o meu respeito.

É com alguma tristeza e também preocupação que assisto ao definhar de partidos como o PSD e o CDS e que vejo algumas das pessoas que respeito e admiro divergirem ou afastarem-se. Tristeza porque durante muitos anos, fruto do confronto de ideias e opiniões, aprendi muito com elas. Preocupação porque o esvaziamento destes partidos dessas pessoas abre espaço à demagogia, ao facilitismo e à política barata.

Um dos partidos que sempre mereceu o meu maior respeito e admiração foi o CDS. Embora sendo o mais afastado das minhas convicções políticas, foi também aquele com que mais vezes trabalhei e construí pontes. Um partido pequeno mas recheado de excelentes quadros, de gente capaz e cuja determinação e convicção sempre me fascinaram e inspiraram.

Goste-se da figura ou não, e taticismos à parte, o anterior líder do CDS cumpria todos os requisitos e descrições a que me referia acima. Goste-se ou não, Paulo Portas enchia um espaço que, quer se queira quer não, é fundamental no jogo de equilíbrios de poder na nossa democracia. E com frontalidade admito que, como governante, Portas esteve muitos pontos acima de muitos governantes do meu partido.

Hoje olho para o CDS e o que vejo? Um punhado de banalidades, demagogias e desnorte político e ideológico. E tenho pena. Confesso que tenho pena. Pelos bons amigos que ali tenho mas, sobretudo, pelo vazio que o CDS deixa no puzzle político português.

A política não pode ser folclore, sob pena de abrir portas aos Trumps e Le Pens da vida. A política deve ser encarada de forma séria. A política não se coaduna com indumentárias, sejam elas botas, saias travadas ou de roda, macacões ou calças de ganga. 

A política não é à segunda-feira estarmos preocupados com as finanças públicas para, à terça-feira, propormos 20 novas estações de metro. A política deve ser a resposta aos reais problemas das pessoas, e não um provador de roupa em que se troca de opiniões ao ritmo de uma sessão de sellout de um outlet.

A mim preocupa-me o vazio de um partido que podia servir de fiel da balança do equilíbrio político (papel agora desempenhado por Bloco e PCP). Preocupa-me o vazio que abre portas à demagogia e ao lorpismo de bolso.

A política não é uma fashion clinic onde se troca de saia conforme a ocasião. Volta, Portas, seja de saia travada, macacão ou boné de feiras, volta! Estás perdoado.

Escreve à quinta-feira

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