23/5/17
 
 
Vítor Rainho 19/05/2017
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Olha-se para a esquerda e para a direita e vê-se o mesmo

Quando um país perde as suas referências, facilmente se instala o caos. O Brasil está nessa encruzilhada em que olha para a esquerda e para a direita e não vê diferenças: um vasto número de políticos acusados de corrupção. Agora, a campainha tocou na porta da direita e Michel Temer e um dos seus braços direitos devem ter o destino traçado: a destituição.

Com uma riqueza ímpar, é impressionante como um dos gigantes da América está atolado em gente sem princípios que olha para o dinheiro como o único objetivo de vida. Mas as denúncias que, supostamente, incriminam o presidente vêm provar que a justiça do país funciona e que não olha a partidos.

Os amigos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, os ex-presidentes, sempre tentaram fazer passar a ideia de que a justiça estava ao serviço dos poderosos. Como se provou esta semana, nada de mais errado. Mas como irá reagir o gigante de quase 200 milhões de habitantes, onde a larga maioria da população vive na mais profunda das misérias, ao ver que os ricos roubam como os pobres? Onde mora a esperança?

Há quem defenda que, se Temer cair e se conseguirem mudar a Constituição, deverá haver eleições diretas, situação que a atual Constituição não prevê. Quando na vizinha Venezuela um ditador se perpetua no poder, prendendo e deixando matar os opositores, o Brasil corre sérios riscos de ver o poder cair ainda mais na rua. Como é sabido, a população que foi chutada para as favelas, quando desce, revoltada, ao centro das cidades, acaba por fazer estragos.

Não é, pois, de estranhar que a classe média mais abastada queira vir para Portugal refazer a sua vida. Quem aguenta viver num país que está quase em guerra civil? Só mesmo quem não tem alternativa e tem de se sujeitar à situação. O mesmo se passa com a comunidade portuguesa mais velha que vive na Venezuela. Já sem perspetivas de futuro em Portugal, não lhe resta outra solução que não seja aguentar-se. O Brasil não está muito diferente. Infelizmente. 

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